quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Janela

Eu quero um lugar, onde o eu não seja pelos outros
onde as atitudes não sejam guiadas
onde se possa encontrar o quem.

Eu quero sair dessa prisão de intenções e amores
ser o bom, ser o errado, ser o bêbado, o depravado,
ser eu
Sem restrições ou contenções, sem olhares,
sem precauções.


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quando era pequena, dava para ver a lua da janela do meu quarto
e por alguns segundos eu só observava o céu escuro e não pensava em nada,
raras ocasiões.
Aí eu cresci, agora a lua não mais me olha pegar no sono pela janela e não ilumina
mais nenhuma parte da casa.

sábado, 1 de outubro de 2011

Uoww

Engraçada a sensação, de quando o coração
se acomoda no peito, de tal jeito,
quando as palavras não conseguem tocar a lígua
e a emoção não sossega, aí
acontece uma explosão de flores, de desejos,
de suspiros e sorrisos que não pedem permissão.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Conserva

Vou tirar meu coração de circulação,
vô colocar num pote colorido e encher com vinagre de mel.
 Vou impedir que ele cante uma nova canção,
que faça de mim, novamente, sua vítima mais cruel.
Vou deixar lá, na prateleira mais alta, só pra não esqueçer
que um dia pulsou aqui, nesse espaço onde hoje
só há pretenção.



segunda-feira, 22 de agosto de 2011

     Eu tenho um mundo só meu. No meu mundo as paixões são intensas, existe sempre uma tristeza, a morte é uma opção, voar é o sonho, se perder é um desejo e se encontrar é talvez, uma consequência, seguir é um dever, as pessoas podem ser dispensáveis, amores podem ser passageiros, a liberdade é a conquista inalcansável e arte é perceber que o mundo continua me esperando.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Semana Santa

     Esse feriado teve um efeito estranho sobre mim. Antes mesmo de começar ele me fez experimentar uma euforia, que tinha com um risinho escondido bem lá no fundo. No primeiro dia a estranhesa  e um pouco de receio me acompanhou, depois a desapontamento, eu soube que não iria ser um bom dia ou dias, o sentimento de familiaridade me assustou e me fez ponderar várias idéias diferentes ao mesmo tempo.
     Quando todo o meu egoismo, minha tristesa e o desapontamento se juntaram a um pequeno fiapo de esperança que foi despedaçado e a uma situação pessoal de humilhação, tudo desabou na minha cabeça, todo o futuro, todo descontentamento e mágoa  se misturaram com hormônios e me fizeram a mais impotente e infeliz das criaturas. Era como se todas as minhas dúvidas e tristesas tivesses se juntado para me atormentar, todas elas.
     Depois tudo passou, melhorei e começei a ser paparicada, meus gostos estavam sendo satisfeitos, porém a dúvida do real motivo para esses atos de caridade me deixaram um pouco triste. E como nunca havia experimentado antes, uma alegria e uma sensação de quem faz uma coisa horrível tomaram conta de mim, até parecia quase como uma novela, onde eu era uma vilã, que se deleitava com o mal que tinha feito. 
     E depois que esses dias acabaram, explodiu em mim uma sensação de amor que eu nunca havia sentido antes, assim tão de repente, quase uma explosão, uma vontade de fugir da realidade, de começar o amanhã  sem passar pelo hoje, uma felicidade tremenda que quase não cabia em mim. Eu pensei; ele se importa e me ama, esse pensamento pra mim foi tão destruidor de orgulhos como foi libertador.  Essa sensação durou um pouco mais.

sábado, 12 de março de 2011

Divagando

Os fins de semana são apenas tristezas e desculpas,
São tantas as frustrações e as compensações,
Estou esperando, na esperança de que melhore,
Mas e se, como todas as outras coisas esperadas
da minha vida, nada acontecer?
Mais vale sofrer por remorso ou sofrer pela dúvida?

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Caio Fernando Abreu

   Adoro o Caio, as vezes tem coisas que ele falou, que parece que ele escreveu olhando nos seus olhos, numa mesa de bar, num fim de semana, no final de uma noite qualquer.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Estorinha

   Sempre gostei de observar as pessoas, mas aprendi desde pequena, que as pessoas não gostam de ser observadas, para elas a observação tem um lado sujo escondido. Mas um dia, eu parei em uma praça muito movimentada, me sentei em um dos bancos e divaguei sobre a vida e tudo mais, no banco que estava na minha frente, tinha um casal, que parecia ser um casais mais antigo, daqueles formados a vários verões. Olhei, fiquei olhando, olhei tanto que eles já haviam percebido, mas eu me recusava, desta vez, a desviar o olhar. O homem, chegou perto de mim e de pé diante de mim perguntou: - O que você está olhando?
   Olhei nos olhos dele e disse que hoje eu estava em uma missão.
- Imcomodar pessoas na praça?
   Olhei bem dentro dos olhos dele, esperei alguns segundos, dei um sorrisinho leve e disse que estava tentando achar a cara do amor.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Assim.

Eu gosto das coisas pequenas, talvez porque eu seja pequena,
mas sempre cultivei uma preferência especial pelo sucinto, pelo curto, pelo direto.
As pequenas declarações de amor.
As mais ínfimas demonstrações de carinho.
Os deliciosos pratos reduzidos. Uma dose. Uma pessoa.
As pequenas porções teem o privilégio de não serem nocivas, mas 
de se acumularem, mais escondidas possíveis onde só no fim são descobertas, 
pois só aí a gente nota, que o melhor da vida vem em pitadas.
Pra criar a rotina e tornar tudo mais agridoce.

Quase não da pra sentir

As vezes, quando abro os olhos de manhã,
parece que o relógio está tentando pregar uma
peça de mal gosto em mim, sempre no mesmo lugar.
Então um dia, eu abri os olhos e vi que o futuro já
estava me esperando, sentado em uma cadeira ao
lado da cama. Olhando direto pra mim com seus
olhos de promotor, pedindo as respostas para as
perguntas que o relógio não quer responder.