Esse feriado teve um efeito estranho sobre mim. Antes mesmo de começar ele me fez experimentar uma euforia, que tinha com um risinho escondido bem lá no fundo. No primeiro dia a estranhesa e um pouco de receio me acompanhou, depois a desapontamento, eu soube que não iria ser um bom dia ou dias, o sentimento de familiaridade me assustou e me fez ponderar várias idéias diferentes ao mesmo tempo.
Quando todo o meu egoismo, minha tristesa e o desapontamento se juntaram a um pequeno fiapo de esperança que foi despedaçado e a uma situação pessoal de humilhação, tudo desabou na minha cabeça, todo o futuro, todo descontentamento e mágoa se misturaram com hormônios e me fizeram a mais impotente e infeliz das criaturas. Era como se todas as minhas dúvidas e tristesas tivesses se juntado para me atormentar, todas elas.
Depois tudo passou, melhorei e começei a ser paparicada, meus gostos estavam sendo satisfeitos, porém a dúvida do real motivo para esses atos de caridade me deixaram um pouco triste. E como nunca havia experimentado antes, uma alegria e uma sensação de quem faz uma coisa horrível tomaram conta de mim, até parecia quase como uma novela, onde eu era uma vilã, que se deleitava com o mal que tinha feito.
E depois que esses dias acabaram, explodiu em mim uma sensação de amor que eu nunca havia sentido antes, assim tão de repente, quase uma explosão, uma vontade de fugir da realidade, de começar o amanhã sem passar pelo hoje, uma felicidade tremenda que quase não cabia em mim. Eu pensei; ele se importa e me ama, esse pensamento pra mim foi tão destruidor de orgulhos como foi libertador. Essa sensação durou um pouco mais.